Artigo encaminhado ao Todo Plural por Jorge da Guia
Em outubro de 2026 não poderemos festejar a tomada do poder pelos trabalhadores e pelas forças populares. Mas podemos e estamos a festejar a eleição do Lula. Uma vitória eleitoral pode ser motivo de tanta comemoração? Afinal, a ordem burguesa continua intacta. Digamos que intacta não, mas em pé e ainda bastante sólida, tanto quanto possível nesta longa época de crise do capital.
Assim sendo, a comemoração é exagerada e está muitos tons acima do que seria esperado? A resposta é simplesmente não! A comemoração, ou melhor, as comemorações, visto que tomaram conta de Norte a Sul do Brasil, são mais que justas e em bom tom. Afinal, as massas retomaram as ruas e conquistaram o protagonismo da luta de classes, como não se via há muito tempo.
Aí está o verdadeiro motivo que justifica a comemoração. O fiel da luta de classes se inclina favoravelmente para a classe trabalhadora. Retomamos a iniciativa da luta de classes. Isto sim é grandioso e histórico. E justamente por isso, está chegando o momento das comemorações ficarem guardadas com carinho em nossas lembranças, para retomarmos as ações que precisamos tomar, para que nossas comemorações não se transformem em choro no momento seguinte.
Lula venceu, o PT venceu, mas as massas nas ruas e praças derrotaram o lulismo e o petismo, muito embora a esmagadora maioria não tenha consciência disto. O que garantiu a eleição do Lula foi a comovente e grandiosa mobilização popular que encheu praças e ruas numa velocidade estonteante. E essa mobilização popular é justamente o que o Lula e o PT buscam evitar há décadas.
Essa contradição entre vitória eleitoral e derrota de método é muito perigosa, na medida em que o povo se sinta traído na sua luta, no seu esforço. Se o governo Lula não governar com as ruas, com quem o elegeu, e preferir, como faz costumeiramente, os acordos palacianos espúrios, seu governo estará sempre sob risco de queda. Para que o governo sobreviva, nas condições adversas que estão colocadas, (Congresso Nacional hostil, e setores burgueses revanchistas) será preciso se apoiar na massa trabalhadora e atender suas legítimas reivindicações.
A escala 5X2, que se arrastava e repousava serenamente nas gavetas do Congresso, foi rapidamente desengavetada e aprovada. O povo nas ruas “opera milagres”. A mobilização popular sustenta governos e avança para conquistar suas reivindicações.
Sem que o Lula fizesse concessões (afinal, os possíveis interlocutores estavam já se acertando com o miliciano) várias personagens da direita manifestaram apoio ao Lula espontaneamente. De fato, o povo na rua “opera milagres”.
Mas as ruas cheias são também um risco. Um risco para quem faz ouvidos moucos para elas. E pior, o fascismo está sempre à espreita, de braços abertos, ou melhor, com as garras afiadas para atrair os que se decepcionam, os que se frustram. Lula não pode frustrar “seu exército de milhões” mesmo que não tenha mais ambições eleitorais. Pois o que está em jogo não é eleger este ou aquele, o que está em jogo é simplesmente tudo, a começar pela vida das pessoas.
Os trabalhadores organizados e mobilizados nas ruas lutam por suas reivindicações e encurralam seus inimigos.
Fizemos um a zero com um lindo gol. Não podemos sofrer o empate e muito menos a virada.
Até a vitória. Sempre!