Nos anos 1980, fez sucesso publicidade com bordão em referência à ressaca de quem consumisse vodca que não fosse Orloff. O bordão, “eu sou você, amanhã”, passou a ser associado à situação do Brasil ao tomar como exemplo modelo econômico argentino, no que se denominou “década perdida”. O Brasil enfrentaria, então, tragédia econômica e social semelhante à da Argentina.
Daniella Marques, ex-presidenta da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro, comanda a equipe econômica de Flávio Bolsonaro, candidato de oposição à presidência. Daniella Marques declarou em 14 de setembro, segundo registram vários meios, que considera o modelo de Javier Milei, presidente argentino eleito em dezembro de 2023, ótimo exemplo.
Registra a britânica BBC News Brasil que Milei afirmou, em visita a Nova York no final de setembro, não ver problema com o crescimento em seu país. É mesmo? Lá, há risco de recessão técnica, caracterizada pelo contração econômica em dois trimestres consecutivos.
Observado o primeiro trimestre de 2026, diz a matéria que “apesar da expansão econômica e da drástica redução da inflação, de mais de 211% — quando ele assumiu o cargo — para 33,5%, o custo social das políticas de choque implementadas pelo governo deixou cicatrizes”.
Cicatrizes
Segundo a BBC, de cada três argentinos um vive na pobreza, o desemprego no país gira em torno de 8%, há acentuada precariedade por conta da informalidade, população enfrenta dívidas muito elevadas e a sua incapacidade de pagamento. E acrescenta: “enquanto isso, os salários estão caindo em relação ao custo de vida, os serviços básicos estão mais caros — após cortes nos subsídios — e grande parte da indústria manufatureira local foi afetada pela abertura às importações, que pôs fim a uma longa história de políticas de proteção à indústria nacional”. Por fim, “Milei classificou como ‘estúpida’ a afirmação de que 80% dos argentinos têm dificuldades para sobreviver.”
Pois é. Se o modelo argentino, exemplo na visão da coordenadora econômica do candidato de oposição, for implementado, o Brasil voltará ao bordão: “eu sou você, amanhã”.
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