Na frustrada tentativa de convencer ativos, aposentados e pensionistas a aprovarem as mudanças no Saúde Caixa, divulgadas em 29 de agosto como resultado do negociado entre Caixa e entidades representativas de empregados, algumas das mensagens sob o título “diferenciais Saúde Caixa” trouxeram a comparação entre valores cobrados no programa de saúde e planos de seguro de mercado, estes muito mais elevados.
Saúde Caixa é direito; não é produto de mercado. A comparação é estapafúrdia.
Estapafúrdia e com olhar na terceirização
As mudanças negociadas e rejeitadas acarretariam elevação significativa de custos aos usuários e acentuariam, no que se anuncia, a lógica de mercado. Segundo divulgado pelas negociadores, a Caixa estuda mudanças estruturais, entre as quais criação de CNPJ para o Saúde Caixa. Em outras palavras, personalidade jurídica própria, abrindo-se caminho para transferência da carteira de 240 mil usuários a alguma gestora de seguro saúde. Nos corredores da Caixa, há conversas a respeito.
De 6,5% a 8%? É essa a intenção?
Também mencionado em mesa de negociação o compromisso da Caixa em ampliar seu limite de participação no Saúde Caixa de 6,5% a 8%. O percentual é aplicado sobre o total da folha de pagamentos e da folha de benefícios de previdência Funcef, desta excluídos valores devidos pelo INSS.
A base de custeio do Saúde Caixa, até 2021, era de 70% das despesas assistenciais pagas pela Caixa e 30% pagas pelos usuários; das administrativa, 100% Caixa. Instituído o limite, desde então a participação da Caixa se reduziu e, em 2025, foi inferior a 50% da despesa total, aí somadas administrativas e assistenciais. Folhas da Caixa e Funcef crescem bem menos que o custo da assistência médica.
Não há estudo que indique se com a elevação de 6,5% para 8%, supondo que ocorra, se contenha a transferência de custos aos usuários que se verifica desde 2021.
Retomar o 70/30 é fundamental. Aliás, a CGPAR 52, de abril de 2024, definiu em seu artigo 6º, inciso VII, que “participação da empresa estatal federal no custeio de planos de saúde, que não poderá exceder a 70% (setenta por cento) da despesa”. O parâmetro é desprezado pela Caixa.
Pós-agosto de 2018
Em junho de 2026, balanço da Caixa registra no Saúde Caixa, no que denomina “benefício pós-emprego”, 66.073 usuários ativos. O total de empregados no mencionado mês é de 84.136. A diferença, 18.063. Boa parte da diferença resulta da exclusão dos concursados admitidos a partir de 1º de setembro de 2018, que, quando desligados do banco, mesmo que por aposentadoria, perdem o direito ao Saúde Caixa. São, até agora, 14.400 empregados discriminados em relação aos admitidos até aquela data. E a discriminação é cláusula das versões do acordo coletivo de trabalho firmadas desde 2018. Na proposta atual, o direito aos pós-agosto de 2018 nem foi mencionado.
Enfim, mudanças rejeitadas, greve a partir do dia 10 de setembro. Em jogo, mais que meras alterações. Em jogo, o futuro do Saúde Caixa enquanto direito.
Alterações no Saúde Caixa. Leia mais em
https://todoplural.com.br/2026/08/30/a-sintese-da-proposta-e-as-ameacas-ao-saude-caixa/