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O Brasil para quem?

Embora estadunidenses apoderem-se do gentílico americano e do substantivo América, nós brasileiros também vivemos na América e somos americanos, mas não grafamos Brasil com z.

Matéria de 14 de outubro no portal  Correio Braziliense informa que Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal amparado pelos Estados Unidos, “participará, em Washington, de um evento ao lado do presidente argentino Javier Milei, em um momento em que seu nome passou a ser associado ao comando do Ministério das Relações Exteriores caso o irmão, Flávio Bolsonaro (PL), vença a eleição presidencial”.

Modelo argentino, carne de burro e Daniella Marques

Presidente da Argentina, Javier Milei é “ótimo exemplo” na definição de Daniella Marques, ex-presidenta da Caixa na gestão de Jair Bolsonaro e formuladora econômica do atual candidato de oposição, Flávio Bolsonaro.

Milei aplica desde 2023 forte ajuste fiscal. Alguns resultados, segundo o Portal Opera Mundi: desemprego elevado, próximo aos níveis atingidos na crise de 2001, e informalidade de 44%, onde se viram trabalhadores sem direitos básicos, com  rendimentos mais baixos e sem a garantia de pagamento pelo trabalho. Em 2025, inflação acumulada de 31,5%.

informa Opera Mundi, ainda, uma inovação. Na província de Chubut, na Patagônia argentina, está à venda carne de burro a 7.500 pesos o quilograma (cerca de R$ 25). O preço é quase três vezes inferior ao da carne bovina, historicamente associada ao churrasco argentino.

Milei implora ao Fundo Monetário Internacional. Em maio deste ano, mais 1 bilhão de dólares, valor relativo a Programa de Financiamento, cujo aporte inicial foi de 12 bilhões de dólares. Cada adicional depende de cumprimento de metas anuais estipuladas pelo FMI. O Fundo ditou regras no Brasil do governo Fernando Henrique. Foi convidado a se retirar no governo Lula.

Os Estados Unidos integrando equipe de transição

Em junho de 2026, informam meios de comunicação, revelado agradecimento do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a Flávio Bolsonaro  pela “generosa oferta” feita pelo candidato de oposição à presidência. A referência é à promessa de Bolsonaro de colocar a equipe de transição de governo à inteira disposição de Washington, caso vitorioso na eleição de outubro.

A América para os americanos do norte

O “Corolário Trump”, divulgado em 2025 pelo governo dos Estados Unidos, registra que “após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e para proteger nossa pátria e nosso acesso a geografias-chave em toda a região”. O tal do acesso, diz o Corolário, é feito sob a cobertura de parcerias com governos e empresas regionais para, entre outras iniciativas, apropriação de minerais críticos.

Em resumo: inspiração em modelo argentino de crise, Brasil novamente colônia de exploração, país submetido à América de Trump. Soberania? Nada.

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