Apagam-se as luzes da gestão bolsonarista, hora de sacar do cofre até mesmo o lucro que será realizado. A denúncia é do jornalista Luís Nassif durante o programa Afinando a Notícia, edição de 10 de novembro: “Você tem dois assaltos que estão sendo perpetrados aí contra o país, que eu acho que o Ministério Público tem que ficar atento”. Na visão do jornalista, um dos assaltos é o esvaziamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dado o papel que se desenha para a instituição na estratégia de desenvolvimento no governo Lula. O outro, dividendos na Petrobras. Diz Luís Nassif: “diretoria e conselho da Petrobras (estão) querendo fazer uma baita distribuição de lucros antecipados. Isso aí se chama apropriação indébita. Apropriação indébita! (…) Querem distribuir dividendos sobre lucros futuros”. E acrescenta: “é uma empresa que precisa estar investindo permanentemente para se manter. Eles estão sacando contra o futuro, contra os futuros acionistas”.
A Petrobras adota desde 2016 por ato de Pedro Parente, presidente nomeado por Michel Temer assim que ocupou a cadeira com a derrubada de Dilma Rousseff, a política de paridade de preços internacional (PPI). Por essa política, combustíveis têm seus preços vinculados ao praticado para o barril de petróleo, variação do dólar e custo da importação, pouco importando que a maior parte da extração de óleo seja nacional, o que provocou a disparada de preços dos combustíveis. A taxa de inflação se elevou significativamente, dado o peso do custo do transporte na formação de preços de produtos e serviços. Inflação voltando aos dois dígitos, popularidade de Bolsonaro despencando, eleição se aproximando, o que faz o governo? Nassif lembra: “para reduzir o preço do combustível bastaria a Bolsonaro dar uma ordem para o presidente da Petrobras (voltar) ao padrão anterior, o preço médio entre o que o Brasil produzia e o importado”. No entanto, “para não dar prejuízo aos acionistas, ele (Bolsonaro) esvazia as receitas dos estados com a mudança do ICMS (sobre combustíveis) e não mexe no lucro da Petrobras”. E ainda mais: “Não deixaram nada para investimento”.
Segundo a Federação Única dos Petroleiros, “hoje (maio de 2022) acionistas privados da Petrobras controlam 63,4% do capital total da empresa, sendo que 45% desta fatia são ações negociadas fora do país”. Mexer em dividendos afetaria esses interesses.
Desde Temer, a Petrobras está se desfazendo de refinarias, gasodutos, rede de distribuição de combustíveis. É o fatiamento da maior empresa brasileira para interesse de alguns poucos. Com Lula, a expectativa é pela reversão dessa política. O agora eleito presidente afirmou durante sua campanha, em entrevista ao Portal UOL, que “uma de suas prioridades vai ser mudar a atual política de preços da Petrobras, recuperar a autossuficiência do Brasil em petróleo e derivados e transformar a empresa em um dos motores do desenvolvimento nacional.”.
A edição do Afinando a Notícia, com o tema tratado a partir do minuto oito, está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Yw7aHMgU55g&ab_channel=TVGGN