Em 12 de janeiro de 2026, 165 anos da Caixa Econômica Federal. Em números de setembro de 2025, 156,6 milhões de clientes, 238,5 milhões de contas, das quais 218,8 milhões da modalidade poupança. Entre agências, postos de atendimento e correspondentes bancários, 12.117 unidades. Nas fatias de mercado, a Caixa domina o financiamento imobiliário, com 67%, e depósitos em poupança, 38,8%. Detém, ainda, 19,4% dos saldos de operações de crédito.
Tecnologia
O Brasil passa pela Caixa, mas a estrutura desse imprescindível banco público padece. Há queixas quanto às operações por meio de APPs (celular), que totalizam 94,2% transações bancárias registradas nos nove primeiros meses do ano. Agências, em outros tempos locais obrigatórios para operações bancárias, realizaram apenas 0,11% das transações.
O telefone transformou o cliente em bancário, com a vantagem para o banco de cobrar tarifas do cliente em lugar de remunerar o bancário. É assim no sistema. Por telefone, realizam-se atividades tipicamente operacionais, boa parte das quais antes de atendentes e caixas-executivos, aqueles bancários em muitas cidades hoje escondidos dos clientes por biombos diante de guichês, dizem por aí que em nome da segurança.
Especialistas e carência de pessoal
A se valorizar, atividades operacionais eliminadas, bancários de agora são analistas de aplicações, gestores de segmentos e, no caso da Caixa, especialistas na administração de serviços de gestão exclusiva, a exemplo do penhor e loterias. Mas crescimento no número de clientes, especialização que impõe mais tempo para cada atendimento, oferta de novos produtos e serviços não motivaram a Caixa a contratar: em setembro de 2025, menos 16.323 empregados na comparação a dezembro de 2014.
E para revelar a visão da atual gestão do banco em relação a seus trabalhadores, tome-se o exemplo do Saúde Caixa: custos, antes do banco, transferidos a empregados; concursados, admitidos a partir de setembro de 2018, com seu direito ao programa de saúde cassado quando da aposentadoria, clara discriminação em relação a seus colegas admitidos até então.
Privatização de subsidiárias
A política de privatização desenhada para a Caixa durante o governo Bolsonaro foi freada, mas não eliminada.
Na gestão atual, a Caixa Seguridade ampliou a participação de sócios privados, trazendo mais gente para dividir ganhos no balcão Caixa. Em abril de 2024, publicação de fato relevante registra que o Conselho de Administração do banco aprovara a migração dos negócios de loterias da Caixa para a Caixa Loterias S.A, subsidiária integral ao menos por agora. Em agosto de 2025, aprovado na Câmara de Deputados projeto do poder executivo para instituição da Fundação Caixa, abrigo de ações e iniciativas típicas da estrutura da própria Caixa para, como mencionou o relator do projeto, “escapar de amarras”.
Futuro
Estrutura adequada, submissão às amarras de controle público, participação própria e efetiva no mercado na busca de resultados que potencializem seu suporte a políticas de Estado é o que se deve defender para a Caixa. É projeto a ser liderado por organizações associativas, sindicais e de outros segmentos sociais. Um projeto de banco público para o Brasil.