Livro de Ilan Pappe, um judeu israelense, “A maior prisão do mundo” (Ed. Elefante, 2025) trata da história dos territórios ocupados por Israel na Palestina. Na apresentação, registra-se que, com base em “majoritariamente fontes israelenses, o livro desmonta a narrativa de que o genocídio em Gaza é resposta aos ataques do Hamas ocorridos em outubro de 2023”.
Diz Pappe: “Certa tarde, em 10 de março de 1948, as lideranças da comunidade judaica na Palestina, ao lado de seus comandantes militares, tomaram a decisão de ocupar 78% do país. Desde 1917, a Palestina vivia sob o domínio do Mandato Britânico. Na época, um milhão de palestino habitava aquela fatia de 78% do país (o que corresponde ao Israel atual sem os territórios ocupados). Os sionistas decidiram expulsar a maior parte deles. Naquela tarde, as forças posicionadas em campo receberam ordens de uma evacuação sistemática de palestinos de grandes área do perímetro. As instruções especificavam como a expulsão deveria ocorrer: intimidação em grande escala, cerco às aldeia, bombardeios dos bairros, incêndios de casas e cultivos, expulsões forçadas e, finalmente, detonações de dinamite nos escombros, a fim de impedir o retorno dos moradores desalojados”.
É a estratégia de ocupação centrada na limpeza étnica, há quase oitenta anos promovendo milhares e milhares de mortos, em grande parte crianças.
